ONDE FICA MACONDO?

Macondo fica aqui e ali. Nosso ponto pacífico, nossa linhagem de solidão. Pode ser seu quarto, pode ser que não. É lugar grande, fora do mapa. Ache-me aqui quando quiser. Sente-se, estique as pernas e me fale de felicidade.

Amaranta Buendia

mail-me: amarantabuendiaa@yahoo.com.br

msn: andyramona@hotmail.com





|Fora de Macondo|

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- Aloísio está falando com ele
- Ana Léa e a Marmotagem
- Aventureiro do Traço
- Bruno em Delírios
- Drummond
- Colombina, em fotos
- Fernanda na Cidade Solar
- Fabíola Voando
- Hilda Hilst
- Ian, cria Waneska e Bruno
- Isabela num céu de diamantes
- Ítalo, em pequenas coisas
- James em fotos
- James em Serviço Secreto
- Juliana em Coisas da Jujuska
- Marcelo tem todos os nomes
- Nívea contando sempre
- O George Não II
- O George Não
- Vanessa assume os pecados
- Vi em seu Fabuloso Mundo
- ZZZinco



|Baú de Úrsula|

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Como ele disse que seria, nada volta ao normal. Vira outra coisa. Os últimos meses foram atribulados e agora eu vejo tudo virando essa 'outra coisa'. Nem sempre deixo todo mundo bem, mas sei que tento. Nem sempre tenho tudo sob controle, mas disso eu já sabia. Não aprendi a jogar e uso cartas marcadas e experiências remotas vividas num momento ou outro. Todos carregam marcas. Tatuagens invisíveis. Não se apaga passado com soda cáustica. O que corrói é o que você não tem resolvido. O que você deixa pendurado no varal não seca.



- Postado por: Amaranta Buendia às 09:27:50
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[André, Vini, eu]

[eles estão impressos em mim, pra sempre]
[sinto sua falta, Andra]



- Postado por: Amaranta Buendia às 09:21:36
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Ainda sobre flores [ou porque senti saudades da Aninha e do André]. Havia um tempo em que se ofereciam gérberas. Assim, aos montes, gérberas e felicidade. Recitavam Walt e Pessoa, assim, em vão, como se não pudessem ser castigados com a palavra ou com o sonho. E foram. Descobriram que podiam voar e pularam. Salto livre. Jogo de dados certeiros. O paraíso se chama Flexeiras e Guaramiranga fica perto do céu. Mas isso foi há muito tempo...

[de olhos fechados posso ver, claramente, nós, o Habannera e três xícaras de café expresso]

- Postado por: Amaranta Buendia às 16:49:57
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Clarice diz verdades. Isso deveria bastar, pelo menos fazer pensar que eu não quero uma vida morna, que eu quero sempre estar em cólera.

"Amanheci em cólera! Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece. E nem ao menos posso fazer o que uma menina semi- paralítica fez em vingança: quebrar um jarro. Embora alguma coisa em mim diga que somos todos semi-paralíticos. E morre-se, sem ao menos uma explicação. E o pior - vive-se, sem ao menos uma explicação. [...]"



- Postado por: Amaranta Buendia às 07:30:53
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Ela queria dar girassóis, num dia assim, como hoje, de sol. Ele lembra aqui e ali. Tem memória vaga e seletiva. Tem olhos que queriam ser verdes, tem pele pintada, mãos firmes. Tem memória vaga e com falhas. Mas ela lembra dele não esquecer dos dias bons, dos dias que virão. Há sempre o que escolher no caminho, girassóis ou vida.



- Postado por: Amaranta Buendia às 12:11:03
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Ele trazia lírios. Ela olhava triste a formiga tentando escalar uma pedra. A dificuldade depende do tamanho das nossas pernas. Acabara de ler Herman Hesse e se sentia sozinha. Livros trazem pacotes de solidão, aromas e sensações adversas. Ele trazia lírios e ela nem notou que ele estava de camisa verde. Estava perdida em pensamentos e nenhum cara com lírios e de camisa verde poderia tirá-la dali. Soltou um sorriso, aceitou os lírios e perdeu a formiga de vista.

- Postado por: Amaranta Buendia às 16:25:19
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A lua está crescente. Eu vi amigos soltos, aqui e ali em abraços de saudade. Eu vi Nação Zumbi e seus tambores. Eu descobri que as coisas se transformam e isso não é ruim.  Cabe em mim o apelido 'tsunami'. Estar feliz está na pauta e estou em paz. A lua vai ficar cheia.

- Postado por: Amaranta Buendia às 16:35:53
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[você é de lua?]



- Postado por: Amaranta Buendia às 16:48:55
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[Frank Miller. Sin City vem aí.]



- Postado por: Amaranta Buendia às 07:51:34
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[Hollow, de Luke Chueh]



- Postado por: Amaranta Buendia às 13:18:22
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- Postado por: Amaranta Buendia às 14:55:17
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[pra não perder o hábito...]

"Eu não tenho tempo, eu não sei voar. Dias passam como nuvens, em brancas nuves e eu não vou passar. Eu não tenho medo, eu não tenho tempo, eu não sei voar."
[Zeca Baleiro em Não Tenho Medo]



- Postado por: Amaranta Buendia às 15:28:56
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Desmontar a casa e o amor.
Despregar os sentimentoos das paredes e lencóis.
Recolher cortinas
após a tempestade das conversas.

O amor não resistiu
às balas, pragas, flores
e corpos de intermeio.

Empilhar livros, quadros,
discos, remorsos.
Esperar o infernal
juízo final do desamor.

Vizinhos se assustam de manhã
ante os destroços junto à porta:
- pareciam se amar tanto!

Houve um tempo: uma casa de campo,
fotos em Veneza, um tempo em que sorridente
o amor aglutinava festas e jantares.

amou-se um certo modo de despir-se,
de pentear-se.
Amou-se o sorriso e um certo modo
de botar a mesa. Amou-se
um certo modo de amar.

No entanto o amor bate em retirada
com suas roupas amassadas, tropas de insultos,
malas desesperadas, soluços embargados.

Faltou amor no amor?
Gastou-se o amor?
Fartou-se o amor?

O amor riu e tem pressa de ir embora,
envergonhado.

Erguerá outra casa, o amor?
Escolherá objetos, morará na praia?
Viajará na neve ou na neblina?

Tonto, perplexo, sem rumo
um corpo sai porta afora
com pedaços de passado na cabeça
e um impreciso futuro.
No peito o coração pesa
mais que uma mala de chumbo.

Aqui ainda não está o amor que cura,
que esquece, que transforma saudade em memória.
Mas ele virá, o tempo.

[Affonso Romano de Sant'anna - Separação]



- Postado por: Amaranta Buendia às 12:49:58
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:.:para pensar hoje:.: Viver com uma imensa e orgulhosa calma; sempre para além. - Ter e não ter, arbitrariamente, os seus afectos, o seu pró e contra, condescender com eles por umas horas; montar sobre eles como em cavalos, frequentemente como em burros; - é que se deve saber aproveitar a sua estupidez tal como a sua fogosidade. Conservar os seus trezentos primeiros planos; também os óculos escuros; pois há casos em que ninguém nos deve olhar nos olhos e muito menos ainda nas nossas «razões». E escolher, para companhia, aquele vício matreiro e sereno, a cortesia. E ficar senhor das suas quatro virtudes, a coragem, a perspicácia, a simpatia, a solidão. Pois a solidão é entre nós uma virtude, como tendência e impulso sublimes do asseio que adivinha como, no contacto de homem para homem - «em sociedade» - tudo é, inevitavelmente, sujo, Toda a comunidade nos torna de qualquer modo, em qualquer parte, em qualquer altura - «vulgares».  

[Friedrich Nietzsche, in Para Além de Bem e Mal]

++++

Há coisas que só servem se forem felizes. Não de outra maneira. Desculpe o mau jeito, a saída brusca, a batida da porta. Todos ficaremos bem assim. Melhor assim.



- Postado por: Amaranta Buendia às 09:40:16
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Quase que só há estrelas. Ela se deixou deitar na grama e ficou olhando o céu. Há mais estrelas que possamos imaginar. Não cabem em frases. Ela e seu gato Miguelito e o céu de estrelas. Há momentos que ainda não aconteceram, mas deveriam.

++++

Irrequieto no dicionário quer dizer uma coisa: que não consegue manter-se imóvel; desassossegado, agitado; que se agita sem cessar; buliçoso, turbulento; que se caracteriza por ser extremamente ativo ou indagativo. Na poesia quer dizer a mesma coisa de outro jeito:

 Eu sou o olhar que penetra nas camadas do mundo,
ando debaixo da pele e sacudo os sonhos.
Não desprezo nada que tenha visto,
Todas as coisas se gravam para sempre na minha cachola.
Toco nas flores, nas almas, nos sons, nos movimentos,
Destelho as casas penduradas na terra,
Tiro o cheiro dos corpos das meninas sonhando.
Desloco as consciências,
A rua estala com os meus passos,
E ando nos quatro cantos da vida.
Consolo o herói vagabundo, glorifico  soldado vencido,
Não posso amar ninguém porque sou o amor,
Tenho me surpreendido a cumprimentar os gatos
E a pedir desculpas ao mendigo.
Sou o espírito que assiste à Criação
E que bole em todas as almas que encontra.
Múltiplo, desarticulado, longe como o diabo,
Nada me fixa nos caminhos do mundo.
[Murilo Mendes]



- Postado por: Amaranta Buendia às 14:32:20
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